Você chegou até aqui por algum motivo. Pode não saber ainda qual
é... mas eu sei.
Eu me chamo Valência. E há mais de 27 anos eu sento do outro
lado dessa mesa e ouço o que as mulheres não conseguem dizer em
voz alta.
O barulho de uma casa cheia... e ainda assim aquela solidão que
aperta por dentro. A sensação de que você se perdeu em algum
lugar no caminho. De que doa demais, recebe de menos, e já não
sabe mais quem você é fora do papel que aprendeu a viver.
Eu conheço essa dor. Não porque li sobre ela. Mas porque já a
carreguei também.
Passei anos num relacionamento onde eu era a última a ser vista.
Cuidava de tudo, segurava tudo, fingia que estava bem... até o
dia em que não consegui mais.
Foi nas cartas que encontrei a minha voz de volta. Não como
magia. Como espelho. Elas mostravam o que eu me recusava a
olhar.
E foi assim que começou. Uma amiga. Depois a irmã dela. Depois a
vizinha. As mulheres foram chegando... com suas histórias
enroladas no peito, com seus silêncios pesados, com suas
perguntas sem resposta.
E as cartas sempre tinham algo a dizer. Sobre o amor que cansa.
Sobre o medo de recomeçar. Sobre a mulher poderosa que vive
dentro de cada uma delas... esperando ser vista.
Hoje eu atendo por aqui. Por chat. Porque aprendi que as
palavras mais honestas são as que a gente digita na calada da
noite, quando ninguém está olhando.
Se você chegou até aqui... é porque alguma coisa em você
reconhece que está na hora. Hora de olhar. Hora de ouvir. Hora
de saber.
Eu estou aqui. As cartas também. Me conta o que está pesando no
seu coração?